“O Verbo” – n° 198 – 1ª quinzena de Março 2005
Já vimos que, com o início da época Moderna (1700), o problema literário do Antigo Testamento se impôs a propósito do Pentateuco. A dificuldade se originou dos dados espaciais e cronológicos não conformes com os lugares e o tempo da vida de Moisés; descobriu-se que a narração não é dele, mas sobre ele. Constataram-se “duplicatas” e também várias redações de um mesmo texto da Lei; falta de unidade no desenrolar da exposição, interrupções, cortes, desigualdades e contradições dentro de um mesmo contexto. Tudo isso levou à conclusão de que muitos autores trabalharam na composição do Pentateuco. Esta conclusão foi também confirmada pela constatação de diversidades lingüísticas, léxicas e de estrutura, muito evidentes e claras, principalmente nos casos dos “dobletes”, ou seja, aqueles episódios ou narrativas com mais de uma versão.
Apoiados nessas observações, os exegetas procuraram individualizar as diversas camadas literárias mais ou menos delineadas no Pentateuco. No artigo anterior, abordamos as hipóteses “Documentária”, “Fragmentária” e “Complementária”, que foram os primeiros passos dados pela pesquisa científica visando a uma compreensão mais acurada da origem dos livros tradicionalmente atribuídos a Moisés.
A Julio Wellhausen (1844-1918) coube o mérito de reelaborar a antiga hipótese Documentária. Essa nova hipótese vigorou inquestionável até há pouco tempo. O Pentateuco, nessa nova sistematização, é concebido como uma obra redacional, para cuja formação concorrem os seguintes extratos literários: O “Javista” (J), textos compostos na época da Monarquia (950 a.C.); o “Eloísta” (E), textos posteriores ao ano 750 a.C.; o “Deuteronomista” (D), textos dos anos 600 a.C. aproximadamente; e o Sacerdotal (P), escritos no exílio babilônico, por volta do ano 500 a.C. As datas indicam a época aproximada de sua composição. Oportunamente, trataremos as principais características desses “documentos”.
Julio Wellhausen compreendeu que o sistema das fontes se coadunava perfeitamente com uma nova concepção da história de Israel e com a evolução da religião de Israel. O que mais lhe interessava era a evolução histórica das instituições cultuais, como se refletia nas diversas fontes. Assim, com sua crítica literária, Wellhausen procurou abranger todo o material do Pentateuco, “classificando-o segundo o tempo e procedência, reestruturando-o nas suas unidades originalmente autônomas. O seu trabalho visa a descobrir e a destacar as fontes, a reconhecer e a separar as elaborações, a classificar os extratos pela sua antiguidade e sucessão. Ela visa ainda a compreender o modo e os motivos de seu entrelaçamento com a obra literária em questão; procura, finalmente, determinar, no decurso da história cultual do Antigo Testamento, o lugar certo de cada trecho e das suas colocações” (J.Schreiner).
Certamente, tal intento não pode ser realizado em todos os detalhes de um texto, dada a existência de perícopes que resistem à atribuição a uma fonte determinada, pois os livros bíblicos não são simples coletâneas de fontes literárias, mas foram formados na corrente viva da Sagrada Tradição. No próximo artigo: as características dos “Documentos” do Pentateuco.
Padre Lucas

dauri
agosto 26, 2011 at 1:20 am
eu particulamente acho um absurdo acreditar em hipoteses se a biblia nas palavra do propio cristo afirma que foi moises quem escreveu,
acreditar nessa hipoteses é chamar cristo de mentiroso