As “tradições” literárias do Pentateuco: a “Javista”
Publicado por comunidadecatolica em Abril 23, 2008
“O Verbo” – n° 201 – Edição Histórica – Papa Bento XVI – 2ª quinzena de Abril 2005
Quanto à formação do Pentateuco, vimos que muitos exegetas modernos – críticos de J. Wellhausen – já não falam mais de “Documentos”, mas de “Tradições”. Todavia, ao longo da história, mesmo depois de sua composição literária, essas tradições receberam numerosas modificações. Assim sendo, deve-se considerar alguns dos “escritores da Bíblia” mais como autores do que meros compiladores dessas tradições. Esses autores deixaram traços de caráter complexo das tradições pré-literárias em sua obra. Por isso, alguns estudiosos falam em “escolas”, mais do que “documentos” e “escritores”; outros, como Roland de Vaux, preferem chamá-las simplesmente de “tradições”, sem afirmar sua origem oral ou literária. Embora não haja consenso entre os estudiosos sobre os “documentos” (a hipótese de Wellhausen é cada vez mais questionada) ou as “tradições” que deram origem ao Pentateuco, faz-se mister um aprofundamento de suas características, uma vez que a terminologia empregada por Wellhausen ainda vigora.
Assim, o Pentateuco seria a compilação de quatro “tradições” ou “documentos” – a tradição “Javista” (J), a “Eloísta” (E), a “Deuteronomista” (D) e a “Sacerdotal” (P) – diferentes quanto à idade e ao ambiente de origem, mas todas elas muito posteriores a Moisés.
A mais antiga seria a “tradição Javista” (J) – segundo Wellhausen-Graf, “Documento Javista” – assim denominada por designar a Deus, desde o relato da criação, com o nome “Javé”. Sabemos que, após a morte de Salomão, filho de Davi, a “Terra Santa” foi dividida em dois reinos distintos e rivais entre si: Israel e Judá. O “Javista” teria sido redigido em Judá, no reino do Sul, por volta do século IX. Entretanto, críticos modernos estão inclinados a datá-la no reinado de Salomão ou mesmo de Davi, portanto, antes do cisma Norte-Sul.
Segundo os estudiosos, a tradição Javista contém a história do Paraíso e do pecado original; o relato sobre os “filhos de Deus e as filhas dos homens”; o dilúvio, Noé e a vinha; parte da lista das nações; a torre de Babel; a vocação de Abraão e sua viagem a Hebron; a promessa da terra e de uma numerosa posteridade; Agar e Ismael; os hóspedes de Abraão; a destruição de Sodoma e Gomorra; Ló e suas filhas; o nascimento de Isaac; a corte de Rebeca; a história de Isaac; Esaú e Jacó; o nascimento dos filhos de Jacó; Jacó e Labão; Jacó em Siquém; a genealogia edomita; José e seus irmãos; José no Egito; a bênção de Jacó; a opressão de Israel no Egito; o nascimento e a vocação de Moisés; provavelmente, sete das dez pragas; a passagem pelo mar; a viagem do mar ao Sinai; as codornizes e o maná; uma breve notícia da teofania do Sinai; o bezerro de ouro; os mandamentos (Ex 34); a partida do Sinai; o envio dos exploradores à terra de Canaã; a rebelião de Datã e Abiram; a viagem de Cades a Moab; os oráculos de Balaão; a adoração de Baal Peor; a luta entre as tribos orientais e ocidentais; a morte de Moisés.
A “tradição Javista” foi chamada “a épica nacional israelita e é a expressão da consciência nacional de Israel que se originou das vitórias de Davi e da prosperidade que seu reino iniciou” (J. L. McKenzie). O Javista é considerado um dos maiores narradores do Antigo Testamento. Tanto que suas histórias figuram entre as mais conhecidas e apreciadas de toda a Bíblia. No próximo número, ainda discorreremos sobre a “tradição Javista”.
Padre Lucas
Obs.: no nº 200 não teve artigo
200 – Edição Especial – Falecimento do Papa João Paulo II

Eustásio de Oliveira Ferraz disse
Gostei da aula. Bem didática. Linguagem simples para os fiéis.
Gostaria saber qual a interpretação ou mensagem que a Igreja católica tem para o oráculo de Balaão ao referir-se à jumenta que fala? O rabino Nilton Bonder diz que é a oportunidade para ouvirmos as mensagens de deus em nosso coração.
Aguardo resposta, se possivel.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Eustásio