TEOLOGIA BIBLICA – Por Padre Lucas Prazer

Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto – Jundiai SP

A mensagem do Pentateuco IV

Publicado por comunidadecatolica em Junho 10, 2008

Durante o Exílio, alguns teólogos judeus concentraram sua reflexão na ação decisiva de Deus por meio de Moisés, antes da conquista da terra. Movidos por uma certeza: Deus, que agiu no passado, ainda pode agir novamente em favor de seu povo! Se eles perderam a posse da terra, mesmo assim essa continua sendo objeto de esperança e, por isso, após o Exílio, continua-se a esperar um futuro melhor!

O Pentateuco nos manifesta a expressão da fé do povo, e se apresenta como uma história coletiva. Entretanto, essa meditação sobre o passado não se realizou de uma só vez; sabemos que, no Pentateuco, encontram-se pontos de vista que se explicam tanto pelas circunstâncias históricas como pelas diferentes influências que se exerceram sobre grupos particulares e se cristalizaram em diversas “tradições”. Dessa forma, a expressão da fé se acha ligada a essas variadas experiências coletivas.

A imagem de Deus apresentada pelo Pentateuco não é uniforme; a amálgama das diversas tradições (J, E, D, P) é para nós motivo de reflexão: ela nos convida a lançarmos um novo olhar sobre a diversidade da expressão da fé hoje. Para tanto, faz-se mister superar uma leitura ingênua dos textos, que não permitiria ver a verdadeira intenção do que é narrado. Não podemos deixar-nos confundir pelo modo de narrar dos antigos; as narrações têm um papel singular no aprofundamento da relação de Israel com Deus. A diversidade dos gêneros literários não é aqui nada mais do que a riqueza de vida que anima as pessoas.

A seriedade das questões postas e das respostas é impressionante; cada leitor é interpelado mais diretamente por uma ou outra, em função de sua própria experiência.

“A leitura do Pentateuco, que não se pode separar da dos profetas, mostra a seriedade que a fé exige do homem no seu trato com Deus, o cuidado em distinguir o que pode ser a vontade de Deus, a dificuldade de ouvir a Deus em todas as dimensões da existência, o que faz surgir a questão dolorosa da infidelidade, a necessidade do perdão para se continuar a avançar no caminho da fé” (J. Briend).

Assim, o Pentateuco, como todo o Antigo Testamento, está aberto a uma leitura cristã. Ao seguir as idéias determinantes de cada tradição, constata-se que elas convergem para Jesus de Nazaré. De fato, Jesus não veio coroar a esperança na vinda de um rei segundo o coração de Deus, na perspectiva da tradição Javista (J)? Não podemos ver a provação e o sofrimento como caminho de salvação, descritos pela Eloísta (E), como que uma prefiguração das perseguições e sofrimentos de Jesus? A Deuteronomista (D) se orienta em vista da organização de uma assembléia unânime no serviço de Deus: não deveríamos ver nisso um apelo a um dom do Espírito trabalhando no coração humano para torná-lo membro da comunidade fraterna nascida no Pentecostes? A tradição Sacerdotal (P), justamente preocupada com a reconciliação com Deus, não encontra sua resposta final na teologia neotestamentária?

Finalmente, a leitura do Pentateuco nos lembra que ainda estamos em marcha para Deus e que nossa lentidão é, não raras vezes, muito semelhante à do povo de Israel! Continua…

Padre Lucas

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