TEOLOGIA BIBLICA – Por Padre Lucas Prazer

Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto – Jundiai SP

A Tradição Sacerdotal IV: “A Lei de Santidade”

Publicado por comunidadecatolica em Junho 10, 2008

“O Verbo” – n° 212 – Edição Especial – 1ª quinzena de Outubro 2005

 

A “Lei de Santidade” (Lv 17-26) forma um conjunto que inicialmente era separado do Pentateuco. Esse conjunto reúne elementos diversos, alguns dos quais, provavelmente, remontam à época nômade, como o cap. 18, por exemplo. Outros são ainda do período pré-exílico, e outros, mais recentes. Uma primeira coleção dessas leis ter-se-ia formado em Jerusalém, pouco antes do Exílio. O profeta Ezequiel a pôde ter conhecido. Contudo, sua edição se deu somente no decurso do Exílio, antes de ser inserida no Pentateuco pelos redatores sacerdotais, que a adaptaram ao resto do material que reuniram.  

 

 

 Pode-se afirmar que a estrutura da Lei de Santidade muito se aproxima da do “código deuteronômico” (Dt 11,1-26,15). “Como o código deuteronômico, a Lei de Santidade se abre e se encerra com prescrições cultuais (Lv 17,1-16 e 26,1-2); apresenta-se como um discurso de Moisés ao povo (17,1-2) e é seguida de bênçãos e maldições (26,3-45). Por isso, a Lei de Santidade, como o código deuteronômico, é uma compilação: as repetições que nele se encontram denotam a existência de pequenas coleções primitivamente independentes” (J. Briend). Todavia, enquanto o Deuteronômio enfatiza a eleição do povo de Israel por parte de Iahweh, a Lei de Santidade se refere com insistência à santidade de Deus e à sua transcendência. Como Deus é santo, o povo de Deus deve ser santo (19,2). Trata-se da fórmula-chave dessa coleção. Ora, a santidade de Deus é uma santidade moral e se impõe ao povo, que recebe o qualificativo de “santo”.

Para se determinar a data em que foi realizada essa compilação, pode ser tomado como ponto de comparação o ministério do profeta Ezequiel, exilado em Babilônia em 597. Ele se refere à Lei de Santidade (compare-se, por exemplo, Ez 18,6 e Lv 18,19 e também Ez 22,11 e Lv 20,12). Ora, Ezequiel não pode ser o criador dessa Lei, porque em alguns pontos importantes ele se distancia dela: o profeta combate, por exemplo, a retribuição coletiva (Lv 20,5; 26,39), enfatizando a responsabilidade individual.

Muitos são os indícios que sugerem que a Lei de Santidade foi compilada paralelamente ao Deuteronômio. A supracitada semelhança entre as estruturas de ambos os códigos tem se constituído num argumento de grande peso a favorecer essa hipótese. Muitos afirmam que a reforma de Josias levou os sacerdotes a proporem um conjunto de leis que viesse contrapor-se ao código deuteronômico. Mas a Lei de Santidade não tem os desenvolvimentos do Deuteronômio. Não se sente o peso da tradição mosaica, tão sensível nas tradições do norte. Como no Deuteronômio, a Lei é a condição para se conseguir a bênção. Com a Lei de Santidade o povo de Israel se acha, portanto, em fase anterior à esperança de uma Nova Aliança (Jr 31,31-34), na qual a Lei ia ser um dom de Deus: Eis que dias virão em que concluirei com a casa de Israel (e com a casa de Judá) uma aliança nova. (…) Porei minha lei no fundo de seu ser e a escreverei no seu coração… No próximo número: “As Leis suplementares”.

Padre Lucas

 

 

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