TEOLOGIA BIBLICA – Por Padre Lucas Prazer

Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto – Jundiai SP

Síntese das tradições do Pentateuco

Publicado por comunidadecatolica em Junho 10, 2008

“O Verbo” – n° 214 –1ª quinzena de Novembro 2005

 

A questão das origens do Pentateuco interessa a todos que almejam um conhecimento mais acurado da Bíblia. Até o século XVII, as tradições judaica e cristã sempre reconheceram ser Moisés o seu único autor. Contudo, a partir do início do século XIX, a crítica literária começa a observar certos traços do Pentateuco que sugerem a existência de mais de um escritor.

Para tentar responder às questões quanto às diferenças estilísticas e a presença de fragmentos literários de proveniências diversas num único relato, surgiram três hipóteses: “a documentária”, a “dos fragmentos” e a “dos complementos”. Foram os primeiros passos da exegese visando a uma compreensão mais acurada quanto à origem do Pentateuco.

J. Wellhausen (1844-1918) foi quem reelaborou a antiga “hipótese documentária”, que concebe o Pentateuco como uma obra redacional, para cuja formação concorrem os seguintes extratos literários: o “Javista” (J); o “Eloísta” (E); o “Deuteronomista” (D) e o “Sacerdotal” (P). Sua hipótese dominou a crítica bíblica depois de 1900. Mas sua teoria fora concebida de maneira teórica demais. Por isso, muitos exegetas preferiram adotar outra terminologia e falar em “escolas” ou em “tradições” no lugar de “documentos”.

Embora não haja consenso entre os estudiosos sobre os “documentos” ou as “tradições” que deram origem ao Pentateuco, vimos a necessidade de aprofundar as suas características, uma vez que a terminologia empregada por Wellhausen ainda vigora: o Pentateuco seria a amálgama dos quatro supracitados “documentos” ou “tradições”.

A mais antiga é a “Javista”, assim denominada por designar com o nome de “Javé” a Deus. Redigida em Judá, Reino do Sul, por volta do século IX. Alguns exegetas a datam antes do cisma Norte-Sul.

A “Eloísta”, que designa Deus com o nome “Eloim”, é oriunda do Reino do Norte, e tem sido datada na primeira metade do século VIII. Tem suas raízes no movimento profético do Norte e na corrente sapiencial. Com a queda da Samaria, em 722, foi trazida para o Sul, onde se uniu à “J”.

A “Deuteronomista” é a que deu origem ao livro do Deuteronômio. Reconhece-se no livro encontrado no templo, quando da reforma de Josias (640-609), sua primeira edição. A partir de 622, sua influência não deixou de crescer, o que explica as numerosas fases que conheceu até chegar à sua forma atual. Refletindo tradições do Norte, foi composta no Sul, após 722. Segue a linha de “E” e dos profetas do Norte. Diante do risco de desagregação e perda de identidade do povo, os autores de “D” se esforçam por manter Israel no essencial de sua fé.

Com a “Sacerdotal”, o Pentateuco estará praticamente concluído. Tem sido datada antes do fim do Exílio (538). “P” empenha-se em procurar na herança do passado uma resposta às seguintes perguntas: em que se apoiar para continuar a viver em meio a uma nação estrangeira sem apostatar da própria fé? Por que Deus permite a seu povo uma situação tão adversa? Para tanto, faz uma releitura da sua história e das promessas divinas, visando iluminar a fé dos exilados do século VI. No próximo número, “a mensagem do Pentateuco”.

Padre Lucas

 

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