TEOLOGIA BIBLICA – Por Padre Lucas Prazer

Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto – Jundiai SP

Como interpretar Gn 1-11 (III)

Publicado por comunidadecatolica em Julho 17, 2008

“O Verbo” – n° 225 – 1ª quinzena de Maio 2006

Os relatos de Gn 1-11 são fruto da reflexão dos sábios de Israel, ao longo de sua caminhada, com o objetivo de decifrar, à luz da fé, o sentido do universo e do ser humano sobre a Terra. O ponto de partida desses capítulos é a experiência da ação de Deus em sua própria história. A Aliança feita com Deus é o fundamento de sua visão de mundo e da existência humana.

    De fato, Deus fez um pacto de amizade com Israel: “Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”. Deus o libertara da escravidão do Egito, dera-lhe uma Lei e o conduzira à Terra Prometida. Era, pois, a fidelidade à Aliança que lhe garantiria a bênção e a prosperidade. Todos os anos, Israel celebrava as gestas de Deus em seu favor, e renovava a Aliança, prometendo fidelidade e obediência à Sua vontade.

Mas, manter-se fiel à Aliança foi sempre um grande desafio para esse povo. E muitas vezes a rompeu, cultuando a outros deuses. Sofreu amargamente as conseqüências de sua idolatria.

 Os autores desses capítulos comprovam que todo o mal que atinge o povo é conseqüência da infidelidade à Aliança. Assim, para os sábios de Israel, a fidelidade à Aliança significa bênção e prosperidade, ao passo que a infidelidade era sinônimo de maldição e sofrimento. Portanto, a Aliança é a idéia básica que permeia todo o conjunto Gn 1-11.

Sabemos que esses capítulos foram escritos em épocas diferentes, por autores diversos e em lugares também distintos. Foram reunidos no Exílio e, após o retorno à Terra, foram retocados pelos sábios e organizados na Bíblia, como os encontramos hoje. Por isso, conservam uma série de acontecimentos narrados com mais de uma versão.

Assim, encontramos na Escritura duas narrações diferentes sobre a criação do mundo e do ser humano. O capítulo 2, a partir do versículo 4b, é a mais antiga. Foi redigida, provavelmente, no tempo da Monarquia (950 a.C.). Pertence, portanto, à “Tradição Javista”. O capítulo 1 até o capítulo 2,4a é posterior. Foi escrito no Exílio da Babilônia. Pertence à “Tradição Sacerdotal”. Como veremos, cada narração reflete uma mentalidade própria.

Já constatamos anteriormente que a Bíblia não quer explicar “como” surgiram o mundo e o ser humano. Para o autor da Escritura, o importante é mostrar qual é o projeto de Deus para com a Sua criação.

Todas as antigas civilizações procuravam explicar a origem do mundo. Elaboraram sua própria Cosmologia. Explicavam este mundo, a partir da mera observação natural e das idéias que tinham. Era uma visão ingênua, infantil, pois não possuíam a visão que temos hoje, por não disporem de nenhum recurso técnico ou científico como o homem moderno.

 

Iam até onde seus olhos o permitiam. Para eles, a terra era uma espécie de prato, um disco, coberto por uma abóbada azul e sólida, bem firme. Daí a denominação, “firmamento”. Acima e abaixo desse disco, ficavam as águas. No firmamento, Deus pendurou o sol, a lua e as estrelas. O universo era concebido como que uma casa de três andares: Deus morava acima do firmamento; os seres humanos na Terra; e os mortos ficavam embaixo, num lugar chamado SHEOL.

 

(Continua…).

Padre Lucas

 

 

 

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