Teologia de Gn 1,1-2,4a (II)
Publicado por comunidadecatolica em Setembro 1, 2008
“O Verbo” – n° 228 – Especial Expo Social Diocesana – 2ª quinzena de Junho 2006
Vimos, no artigo anterior, a estrutura literária desse capítulo. Hoje, iniciaremos a abordagem de sua teologia. Comecemos pela Introdução, Gn 1,1-2: No princípio criou Deus o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. (Adotamos a tradução da “Bíblia de Jerusalém”).
A palavra “princípio”, em hebraico berešit, refere-se a tudo o que segue depois, e significa: “primeiramente”, “em primeiro lugar”. Aqui indicando o início do tempo, pois o tempo é a medida do movimento; portanto, o tempo não existia antes das coisas que se movem.
A Tradição Sacerdotal, como já vimos, não atribui o nome Javé a Deus, prefere denominá-lo “Eloim”, que, em hebraico, é o plural de “El”, e expressa a idéia de “Divindade”, recurso que os gramáticos classificam de “plural majestático”. Sabemos que, iluminados pela fé e divinamente inspirados, os hagiógrafos desse capítulo se serviram de cosmogonias usuais em seu tempo. Pois bem, aqui já se constata uma das grandes diferenças entre o relato bíblico e esses escritos, pois, neles, o mundo fora criado mediante a ação de muitos princípios, até antagônicos entre si.
De fato, em Gn 1,1 se afirma exatamente o contrário: Deus criou. Contudo, “não é preciso ler aí a noção metafísica de criação sem que nada a preceda e possa ser considerada como matéria a partir da qual os seres pudessem ter sido formados, mas o texto afirma que houve um início: a criação não é um mito atemporal, ela é integrada à história da qual é o início absoluto. Na linguagem bíblica, o céu e a terra designam a totalidade do universo ordenado, o resultado da criação” (R. de Vaux). Assim, afirma-se que o mundo tem um só Principio, um só Criador, e tudo o que Ele fez é bom.
Ora, a terra estava vazia e vaga. Em hebraico, tõhû e bõhû, respectivamente. Trata-se de duas palavras raramente usadas. A primeira, tõhû, é aplicada para designar uma região deserta (Dt 32,10; Sl 107,40; Jó 6,18; 12,24). Aqui, tem o objetivo de descrever a terra em sua total privação daquilo que depois irá determiná-la e enchê-la (vv. 9-13 e 24-28). A segunda, bõhû, somente ocorre em Jr 4,23 e em Is 34,11. Não se refere, todavia, àquilo que chamamos de planeta terra, mas de sua parte sólida.
Assim, a expressão tõhû e bõhû (“vazia e vaga”) “se tornou proverbial para descrever toda falta de ordem, sobretudo quando é considerável. Esses termos, assim como o de ‘águas’, formam um quadro negativo em relação ao qual aparecerá a novidade da intervenção do Deus pessoal criando tudo por Sua Palavra” (R. de Vaux).
Enfim, esse versículo descreve a situação de caos que precede a criação. Daí, a referência ao abismo com que se costuma traduzir o que, então, se compreendia existir: um depósito de água, sob a terra, de onde jorram as fontes e os rios. Este abismo aquático é posto diretamente em contato com as trevas, o que significa que não se acha em seu lugar sob a terra, mas sobre ela. As trevas são um elemento negativo, para completar a descrição daquilo que ainda não era a terra nesta sua condição primeva. O Sopro divino “é a força criadora de Deus que se prepara, amorosamente, para atuar sobre o universo ainda caótico” (H. Renckens). (Continua…)
Padre Lucas

antonio carlos disse
primeiro:
Gênesis 1: 1 diz: “no principio criou Deus [eloi] os céus [o universo] e a terra”
aqui, criar é criar do nada. Criou a terra e todo o universo com as estrelas e todos os planetas.
Gênesis 1: 2 diz: “a terra, porém, estava sem forma e vazia…”
no original hebraico diz: “a terra, se tornou sem forma e vazia…”
segundo:
entre o versiculo 1 e 2 do Gênesis 1 se passaram milhões ao até trilhões ou até mais anos.
neste intervalo entre os versículos é que encontra-se a explicação e até mesmo demostra que a ciência está correnta e a Bíblia também.
neste intervalo encontra-se a explicação para a idade da terra, que para a ciência, é maior do que a idade dos sete dias mostrado nos versículos seguintes.
neste intervalo entre os versículos encontra-se a explicação para os dinossauros e os homens pré-historicos. Eles estão todos neste intervalo muito, muito grande de templo.
terceiro:
do versículo 3 até o 31 Deus está é restaurando ou recriando a terra.
os sete dias são na realidade a recriação da terra que se tornou sem forma e vazia.
quarto:
no versículo primeiro de Gênesis Deus criou todo o universo.
no versículo 2 foi somente a terra que ficou sem forma e vazia e com água até o topo. O universo, segundo o que fica claro pelo versículo 2, somente a terra ficou sem forma e vazia.
O sol as estrelas e todo o universo estava do mesmo modo como até hoje.
Como a terra estava repleta de água a luz do sol não penetrava.
Quinto:
Portanto, Gênesis 2: 4 diz: “Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o SENHOR Deus fez a terra e os céus. Reforça ainda mais estes fatos comparado a Gênesis 1: 1 No princípio criou Deus os céus e a terra.
O verbo “criar” é criar do nada nos dois versículos. O verbo “fazer” é fazer de algo já existente. Mas, o versículo 4 do capítulo 2 usa tanto o verbo “criar” como o verbo “fazer”.
A primeira parte do versículo 4 do capítulo 2 fala sobre o versículo 1 do capítulo 1 enquanto que a segunda parte do versículo 4 do capítulo 2 fala sobre o que ocorreu após o versículo 2 até o 31, ou seja, a restauração da terra que se tornou sem forma e vazia.
A primeira parte do versículo 4 do capítulo 2 diz: “céus e da terra” e usa o verbo “criar” e a segunda parte, diz: “terra e céus” e usa o verbo “fazer”. Tanto ele usa verbos diferentes como troca a frase “céus e terra” para “terra e céus”
5 dias atrás
Fonte(s):
editora arvore da vida – em seus livros