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Duas maneiras de se ler a Bíblia

17 abr

“O Verbo” – n° 182 – 2ª quinzena de Junho 2004

 Por Padre Lucas

 1- Duas maneiras de se ler a Bíblia A Igreja sempre venerou as Sagradas Escrituras da mesma forma que o Corpo e Sangue de Cristo (Verbum Dei, 21.). Ora, “ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Jesus” (S. Jerônimo).
  Sabemos que para manifestar sua Palavra, Deus se serviu de seres humanos, com todos os seus condicionamentos históricos, geográficos, culturais e psicológicos.

Há, portanto, basicamente, duas formas de se ler a Palavra de Deus: pode-se fazer uma leitura fundamentalista, ingênua e acrítica, levando-se em conta somente o texto bíblico, compreendendo-o ao “pé da letra”, o que dá margem a muitas interpretações sobre o mesmo texto, uma vez que se trata de algo subjetivo, propiciando, assim, tantas interpretações quantos forem os leitores.

Pode-se, ao contrário, realizar uma leitura inteligente e crítica da Bíblia, considerando não somente o texto em si mesmo, mas também o contexto no qual está inserido, e onde e quando foi produzido, levando-se em conta a contribuição de outras ciências, (a Arqueologia, a Filologia, a Antropologia, a História etc.), que são consideradas auxiliares ou complementares e que nos fornecem dados preciosos e informações consistentes sobre a vida e a cultura do povo da Bíblia.

Sabemos, entretanto, que “nenhum método científico para o estudo da Bíblia está à altura de responder à riqueza total dos textos bíblicos” (Pontifícia Comissão Bíblica, A Interpretação da Bíblia na Igreja, 46.); portanto, é útil aplicar estes recursos científicos na medida em que nos “ajudem a entender o texto, desde que não se perca de vista o conjunto da mensagem, e o método não se torne mais importante que o próprio texto”( CNBB, Crescer na leitura da Bíblia, 69.). Aos que poderiam perguntar-se até que ponto ciências humanas podem auxiliar na interpretação da Bíblia, o Papa João Paulo II responde: “É ilusório pensar que, tendo pela frente uma razão débil, a fé goze de maior incidência; pelo contrário, cai no grave perigo de ser reduzida a um mito ou superstição. Da mesma maneira, uma razão que não tenha pela frente uma fé adulta não é estimulada a fixar O olhar sobre a novidade e a radicalidade do ser”(Fides et Ratio, 48.).

Nesta coluna, portanto, realizaremos um estudo crítico da Bíblia – crítico em oposição a ingênuo e fundamentalista. Trata-se, pois, de um estudo científico, técnico, criterioso da Palavra de Deus, visando a uma compreensão mais precisa do texto bíblico. Entretanto, pretendemos fazê-lo por meio de uma linguagem simples e acessível a todos. Nossa proposta é oferecer elementos que ajudem a compreender um pouco mais a Palavra de Deus. Começaremos pelas noções básicas e, lentamente, aprofundaremos nosso estudo. Aceitamos sugestões e estamos à sua disposição para maiores esclarecimentos (pe_lucas@ig.com.br)

 

Nosso próximo tema: II – NOÇÕES BÁSICAS PARA UM ESTUDO CIENTÍFICO DA BÍBLIA.

 

 

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