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A mãe do redentor

18 abr

“O Verbo” – n° 191 – Edição Especial –Visita da Imagem –

1ª quinzena de Novembro 2004

O papel de Maria no projeto salvífico de Deus é uma questão que, ao longo dos séculos, tem dividido os cristãos e suas igrejas. Em parte, essas diferenças derivam das diversas interpretações daquilo que o Novo Testamento diz acerca da mãe de Jesus. Entretanto, já no fim do século passado, estudiosos católicos, protestantes e anglicanos chegaram a um consenso sobre a imagem que os primeiros cristãos faziam de Maria. Fruto desse estudo é o livro “Mary in the New Testament“, Fortress Press, Philadelphia, 1978.

Ora, se estudiosos católicos e protestantes podem concordar com o que as fontes do mais antigo cristianismo afirmam sobre a Mãe do Senhor é sinal de que a autêntica devoção a Maria, longe de separar e dividir os seguidores de Jesus, deve aproximá-los e favorecer o diálogo e a comunhão entre eles. Pois, “as duas crenças fundamentais do cristianismo relativas a Maria – a maternidade divina e a concepção virginal de Jesus – são declaradas claramente nos Evangelhos. O papel relativamente fraco assumido por Maria nos Evangelhos está plenamente de acordo com o estilo de vida judaico e com a história bíblica em geral, onde as mulheres desempenhavam um papel freqüentemente limitado às suas funções de esposa e mãe” (J. L. Mckenzie).

De fato, para quem estuda a Bíblia criticamente e seriamente, torna-se inegável a singular contribuição de Maria na História da Salvação. Contudo, a Mariologia que deriva das Escrituras conduz necessariamente a uma Cristologia: Maria conduz a Cristo! Na Bíblia, Maria aparece sempre associada e submissa a seu Filho. Tudo o que ela representa no plano de Deus decorre de sua estreita ligação com Jesus. E é em função da ação redentora de Cristo que Maria é cumulada de graça. Tudo o que Deus nela realiza é, “de modo antecipado”, por obra e mérito de seu Filho Jesus Cristo! Maria nos é apresentada como modelo do verdadeiro discípulo de Jesus. Ela o gera por obra do Espírito Santo.

Embora se afirme que o Novo Testamento fala muito pouco de Maria, ela é mencionada em momentos estratégicos da vida de Jesus. De modo especial, Lucas acentua o fato de que Maria “meditava sobre todas as coisas” que ouvia em relação ao menino (Lc 2,19.51). Além das “narrativas da infância de Jesus” (Mt 1-2; Lc 1-2), Maria aparece nos Evangelhos sinóticos: Mt 13,55; Mc 6,3, onde é bem conhecida entre o povo de Nazaré; Mt 12,46-50; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21. E em Jo 2,1-5, Maria sugere a Jesus que o vinho acabou, dando assim oportunidade para o primeiro milagre; em Jo 2,12, ela vai a Cafarnaum com Jesus. João é o único evangelista que menciona a sua presença na cena da morte de Jesus e o pedido para que João cuide de Maria. A Igreja interpreta que João estava representando todos os discípulos de Jesus (cf. 19,25-27). Maria estava presente junto aos discípulos nos dias que precederam o Pentecostes (At 1,14). Enfim, Maria participou ativamente da vida de seu Filho e da vida da comunidade cristã, sempre exortando os discípulos: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

 

Padre Lucas

 

 

 

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Publicado por em abril 18, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

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