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A formação do Pentateuco

23 abr

“O Verbo” – n° 197 – 2ª quinzena de Fevereiro 2005

No artigo anterior, começamos abordando o Pentateuco. Vimos que, até o século XVIII, as tradições judaica e cristã sempre reconheceram ser Moisés o seu único autor. Entretanto, a partir do início do século XIX, a crítica literária começa a observar certos traços do Pentateuco que sugerem a existência de mais de um escritor. Assinalamos algumas passagens narradas em várias versões, que diferem em seus aspectos essenciais: anacronismos, mudança de estilo e de vocabulário.

No Pentateuco, é gritante o recurso variável dos narradores a “Javé” e a “Eloim” para falar de Deus. O aparecimento de dois nomes diferentes dados a Deus levou H. B. Witter (1711) a sugerir duas fontes distintas, transmitidas a Moisés pela tradição oral. Todavia, o critério dos dois nomes divinos somente foi plenamente explorado por Astruc e por Eichhorn, por volta de 1760. Eles propuseram que deve-se distinguir dois documentos, um dos quais emprega o nome divino de “Iahweh” (“Documento Javista”) e o outro, o nome de “Eloim” (“Documento Eloísta”). Tais documentos seriam oriundos de fontes preexistentes, compilados por Moisés.

 A partir daí, muitas questões se impuseram: “como, precisamente, teria sido feita essa transmissão, sob que forma devem ser imaginados os documentos transmitidos, e o que continham precisamente esses documentos, e como foram reunidos no conjunto chamado Pentateuco?” (De Pury/T. Römer). Para tentar responder a essas questões e explicar a presença de fragmentos literários de proveniências diversas num único relato, nos séculos seguintes, surgiram três hipóteses: a “documentária”, a dos “fragmentos” e a “dos complementos”.

 A teoria documentária afirmava haver na base do Pentateuco duas, três e até quatro tramas narrativas contínuas (“fontes” ou “documentos”) que, redigidas em épocas diferentes e em meios diferentes, teriam sido justapostas umas às outras por sucessivos redatores. A questão foi colocada, mas a solução proposta quanto à formação do Pentateuco continuou ainda muito vaga. Posteriormente, essa teoria será reformulada por Graf e Wellhausen, como se verá no próximo artigo.

 A teoria dos “fragmentos” asseverava que originalmente existia um número indeterminado de relatos esparsos e de textos isolados (sem continuidade narrativa). Estes teriam sido reunidos ulteriormente por um ou vários redatores-compiladores. Portanto, o Pentateuco não seria fruto de uma compilação de “documentos”, mas de fragmentos de fontes escritas. “Essa teoria expressa um dos dois extremos entre os quais se move a crítica do Pentateuco; um dos extremos é a unidade óbvia de suas fontes, ao passo que o outro é a igualmente óbvia diversidade, que torna a unidade imperfeita” (J. L. McKenzie).

 A teoria dos complementos admite inicialmente a existência de uma única trama narrativa contínua (Eloísta). Ao longo dos séculos, teria recebido inúmeros acréscimos e complementos, até chegar ao Pentateuco atual. No próximo artigo, veremos a continuação dos estudos do Pentateuco ao longo da História até os nossos dias.

 Padre Lucas

 

 

 

 

 

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2 Comentários

Publicado por em abril 23, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

2 Respostas para “A formação do Pentateuco

  1. Fernando Nogueira

    maio 16, 2008 at 1:49 am

    Querido pe Lucas,

    tenho lido seus textos, sempre impecáveis, parabéns!

    como o proprio Jesus diz A VERDADE NOS LIBERTA!

     
  2. regina moreno

    fevereiro 6, 2011 at 12:20 am

    Padre Lucas, estou fazendo um blog aproveitando a apostila de um curso biblico presencial feito por um ótimo professor (Sr.Acácio) mas, quando a lembrança das aulas me falta, recorro as suas palavras e posto por lá… Gosto muito de suas explicações muito claras! Desejo tudo de bom para o senhor e agradeço pelos ensinamentos! Deus continue abençoando-o!! Amém

     

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