RSS

A “nova” hípotese documentária do Pentateuco

23 abr

“O Verbo” – n° 198 – 1ª quinzena de Março 2005

Já vimos que, com o início da época Moderna (1700), o problema literário do Antigo Testamento se impôs a propósito do Pentateuco. A dificuldade se originou dos dados espaciais e cronológicos não conformes com os lugares e o tempo da vida de Moisés; descobriu-se que a narração não é dele, mas sobre ele. Constataram-se “duplicatas” e também várias redações de um mesmo texto da Lei; falta de unidade no desenrolar da exposição, interrupções, cortes, desigualdades e contradições dentro de um mesmo contexto. Tudo isso levou à conclusão de que muitos autores trabalharam na composição do Pentateuco. Esta conclusão foi também confirmada pela constatação de diversidades lingüísticas, léxicas e de estrutura, muito evidentes e claras, principalmente nos casos dos “dobletes”, ou seja, aqueles episódios ou narrativas com mais de uma versão.

 

Apoiados nessas observações, os exegetas procuraram individualizar as diversas camadas literárias mais ou menos delineadas no Pentateuco. No artigo anterior, abordamos as hipóteses “Documentária”, “Fragmentária” e “Complementária”, que foram os primeiros passos dados pela pesquisa científica visando a uma compreensão mais acurada da origem dos livros tradicionalmente atribuídos a Moisés.

A Julio Wellhausen (1844-1918) coube o mérito de reelaborar a antiga hipótese Documentária. Essa nova hipótese vigorou inquestionável até há pouco tempo. O Pentateuco, nessa nova sistematização, é concebido como uma obra redacional, para cuja formação concorrem os seguintes extratos literários: O “Javista” (J), textos compostos na época da Monarquia (950 a.C.); o “Eloísta” (E), textos posteriores ao ano 750 a.C.; o “Deuteronomista” (D), textos dos anos 600 a.C. aproximadamente; e o Sacerdotal (P), escritos no exílio babilônico, por volta do ano 500 a.C. As datas indicam a época aproximada de sua composição. Oportunamente, trataremos as principais características desses “documentos”.

Julio Wellhausen compreendeu que o sistema das fontes se coadunava perfeitamente com uma nova concepção da história de Israel e com a evolução da religião de Israel. O que mais lhe interessava era a evolução histórica das instituições cultuais, como se refletia nas diversas fontes. Assim, com sua crítica literária, Wellhausen procurou abranger todo o material do Pentateuco, “classificando-o segundo o tempo e procedência, reestruturando-o nas suas unidades originalmente autônomas. O seu trabalho visa a descobrir e a destacar as fontes, a reconhecer e a separar as elaborações, a classificar os extratos pela sua antiguidade e sucessão. Ela visa ainda a compreender o modo e os motivos de seu entrelaçamento com a obra literária em questão; procura, finalmente, determinar, no decurso da história cultual do Antigo Testamento, o lugar certo de cada trecho e das suas colocações” (J.Schreiner).

Certamente, tal intento não pode ser realizado em todos os detalhes de um texto, dada a existência de perícopes que resistem à atribuição a uma fonte determinada, pois os livros bíblicos não são simples coletâneas de fontes literárias, mas foram formados na corrente viva da Sagrada Tradição. No próximo artigo: as características dos “Documentos” do Pentateuco.

Padre Lucas

 

 

Anúncios
 
4 Comentários

Publicado por em abril 23, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

4 Respostas para “A “nova” hípotese documentária do Pentateuco

  1. dauri

    agosto 26, 2011 at 1:20 am

    eu particulamente acho um absurdo acreditar em hipoteses se a biblia nas palavra do propio cristo afirma que foi moises quem escreveu,
    acreditar nessa hipoteses é chamar cristo de mentiroso

     
    • Daniel

      novembro 5, 2013 at 8:43 pm

      Eu gostaria de saber em qual passagem Jesus atribui à moisés a autoria da bíblia.

      Tá bom, do peutateuco que seja. Eu não conheço essa passagem, e gostaria de analisá-la para ver se realmente Jesus está atribuindo a autoria de toda a torá à Moisés ou se uma passagem específica.

      Por exemplo, se existir uma palavra contra os fariseus em que Jesus os acusam de confiar em Moisés, ou algo parecido, se referindo à toda a Torá Ele não está necessáriamente admitindo e confirmando essa autoria, mas falando a linguagem daqueles homens que já naquela época atribuíam, por tradição, essa autoria à Moisés.

      enfim, se puder me informar em qual texto da escritura vc se baseia para dizer que Jesus afirmou que foi moisés quem escreveu a Torá eu ficarei agradecido!

      Abraço!

      danielrsj@hotmail.com

       
      • GUILHERME

        março 4, 2014 at 8:00 pm

        LC 20:28; LC 24:44; JO 1:45; JO 5:46; MC 12:19; MC 12:26 e outros…

         
  2. willians

    fevereiro 7, 2012 at 12:21 pm

    Os estudiosos queren saber mais do que Deus mas tenho uma serteza que podemos acreditar apenas num so Deus nosso senhor e salvador
    por isso que Deus escolheu seus profetas

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: