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A “nova” teoria documentária ( II )

23 abr

“O Verbo” – n° 199 – 2ª quinzena de Março 2005

Já vimos que os escritos de Julius Wellhausen contribuíram sobremaneira para difundir a “nova teoria documentária”, tanto junto ao público, como junto aos estudiosos, a ponto de ser identificada com ele. Sabemos, entretanto, que tal teoria fora recebida substancialmente completa por outros exegetas que o precederam (Wette, Ilgen, Vater, Hupfeld, Graf, Künen…). Contudo, J. Wellhausen a consolidou pelo argumento e a discussão. Sua principal contribuição foi a união da teoria dos “documentos” com a da “evolução religiosa e cultual de Israel”.

 

 

Porém, a impossibilidade de distinguir entre a “hipótese literária” e a “hipótese histórica” resultou na rejeição de toda a teoria, considerando-a como ofensiva à religião divinamente revelada. A princípio, muitos estudiosos católicos reagiram positivamente em relação à teoria de Wellhausen, mas, na atmosfera do Modernismo do começo do século XX, foi difícil julgar a teoria objetivamente, e a Pontifícia Comissão Bíblica, em 1906, rejeitou a aplicação tanto das teorias literárias quanto da evolução ao estudo da Bíblia. Isso interrompeu os estudos dos exegetas católicos até a publicação da encíclica Divino Afflante Spiritu, em 1943. Desde então, tem sido possível fazer as devidas distinções entre os problemas literários, os problemas históricos e a evolução cultural de Israel.

A “hipótese documentária” de Wellhausen dominou a crítica bíblica depois de 1900. A maioria das obras produzidas depois desta data dedicou-se a análises posteriores das fontes e ao isolamento de outras fontes especiais, além dos “quatro documentos” de Wellhausen. A análise das fontes em extratos suplementares se desenvolveu a ponto de uma reedição da “teoria dos fragmentos” ser novamente sugerida. Mas, tal teoria foi elaborada justamente no início das grandes descobertas da literatura e da cultura do antigo Oriente Médio, que lançaram nova luz sobre a história e a cultura de Israel e ofereceram paralelos primitivos a muitos textos bíblicos. Essas descobertas mostram que a teoria de Wellhausen era insustentável e provaram ser impossível uma construção da História de Israel sem referência ao material do antigo Oriente Médio. De fato, a teoria literária de Wellhausen fora concebida de maneira teórica demais; os “documentos” eram descritos à maneira de documentos de uma cultura diferente e posterior. Por isso, muitos exegetas já não falam mais de “documentos” do Pentateuco. Alguns falam em “escolas”, outros preferem falar em “tradições”, termo que parece mais apropriado.

Essas considerações têm levado os estudiosos a pensar que a complexidade das origens literárias do Pentateuco é tão grande, que jamais poderá ser inteiramente solucionada, e que “a investigação estará mais segura de seus resultados, se prosseguir por linhas mais gerais; a identificação de cada frase e mesmo de cada palavra, como foi feita no passado, é insegura. Os estudos recentes enfatizam a forma literária e a tradição oral” (J. L. Mckenzie). No próximo artigo, continuaremos o estudo das tradições do Pentateuco.

Padre Lucas.

 

 

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Publicado por em abril 23, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

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