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Recapitulando…

23 abr

“O Verbo” – n° 195 – Janeiro de 2005

Antes de prosseguir em nosso estudo da Bíblia, faz-se mister uma breve síntese da caminhada realizada até agora. Começamos nosso estudo ponderando que há, basicamente, duas formas de se ler a Palavra de Deus: pode-se fazer uma leitura fundamentalista, ingênua e acrítica, atentando somente para o texto bíblico, compreendendo-o ao “pé da letra”. Pode-se, ainda, fazer uma leitura inteligente e crítica da Bíblia, considerando não somente o texto em si mesmo, mas também o contexto no qual está inserido, e onde e quando foi produzido. Por meio dela, leva-se em conta a contribuição de outras ciências (Arqueologia, Filologia, Antropologia, História etc.), que nos ajudam a compreender o texto bíblico de modo mais acurado, e objetivo. Depois, assinalamos certas noções básicas para um estudo científico da Bíblia: Inspiração, Revelação e Inerrância bíblica.

Em seguida, procuramos introduzir os leitores no complexo mundo dos Gêneros literários da Bíblia. Aprofundamos o uso de certas formas de expressão muito comuns ao homem bíblico, como os “relatos etiológicos“, o “midrach” e o “simbolismo numérico“.

Vimos que “Etiologia” é a interpretação ou a explicação da origem de um fenômeno, de uma festa, de um rito, do nome de um lugar, ou de um costume do povo. Trata-se de encontrar em acontecimentos do passado a causa de experiências e de fatos do presente.

O Midraxe (ou Midrash) designa a exegese rabínica, muito minuciosa, verso por verso e, às vezes, letra por letra, do Antigo Testamento. Seu objetivo é a aplicação prática do texto ao presente, para iluminar e orientar a vida do povo. O Antigo Testamento contém muitos exemplos de midraxe, que é meditação edificante sobre um antigo discurso bíblico, reconstrução imaginosa de um episódio ou construção de um episódio fictício, com base nos princípios deduzidos do material bíblico. Esses relatos não têm a intenção de registrar a história do passado, mas sim de extrair ensinamentos da tradição bíblica. Nos evangelhos, Mateus e Lucas são particularmente apaixonados pelo midraxe. Com base em uma breve memória autêntica dos fatos, os relatos são completados com uma antologia de citações extraídas do Antigo Testamento.

Constatamos, ainda, que, na Bíblia, certos números têm um valor convencional que ultrapassa seu valor aritmético. Apontamos o uso dos números 4, 6, 7, 10 e 12 e dos números 2, 3, 40, 70 e 144.000. Quanto à idade dos patriarcas – Abraão (175 anos), Isaac (180 anos) e Jacó (147 anos) – hoje, afirma-se com precisão que tais números não devem ser compreendidos como uma informação cronológica exata, mas como um dado teológico, que visa asseverar que foram largamente abençoados por Deus, que lhes concedeu uma vida longa.

No próximo número, iniciaremos o estudo direto dos livros bíblicos.

Padre Lucas

 

 

 

 

 

 

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