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A mensagem do Pentateuco II

10 jun

“O Verbo” – n° 216 – Edição Especial – 40 anos do Vaticano II – 1ª quinzena de Dezembro 2005

No artigo anterior, apontamos os graves problemas trazidos pelo Exílio e que se refletem na redação final dos cinco primeiros livros da Bíblia. Problemas históricos, físicos e socioeconômicos. Entretanto, vimos que conflitos teológicos tocaram profundamente a alma do povo e podem ser considerados determinantes no processo de composição do Pentateuco. O primeiro problema foi a destruição do templo de Jerusalém, acarretando grave crise de fé: haveria outros deuses mais poderosos que Iahweh? Teria Iahweh rejeitado o Seu povo e o Seu “santo lugar” para sempre?

 

 

 

Outro desafio teológico era o fim da dinastia davídica. Ora, Iahweh havia prometido dinastia eterna a Davi (2Sm 7). No passado, apesar de todas as dificuldades, muitos reis tinham desaparecido, mas a realeza e o Estado haviam resistido. Agora, Sedecias tinha sido preso, seus dois filhos assassinados. Joaquin, seu sobrinho, que reinara por apenas três meses em 597, era prisioneiro em Babilônia: o que significava tudo isso diante da promessa divina feita a Davi? Isso só podia ter acontecido porque Ele tinha julgado e rejeitado a realeza tal como fora praticada.

Crise igualmente aguda deu-se mediante a deportação dos hebreus e a ocupação da Terra por parte de estrangeiros. Sabemos que os itens essenciais da tradição patriarcal eram a promessa de uma terra e de uma descendência. Deus era o Senhor da terra e a doação desta a Israel fora, desde sua origem como povo, exaustivamente aclamada. Mas, a Terra, herança de Israel, estava agora em mãos de estrangeiros. Por que Iahweh se esquecera de Sua promessa? Teria se tornado fraco demais ou estava aborrecido com o seu povo? A Aliança do Sinai oferecia a escolha entre vida e bênção ou morte e maldição. Entretanto, em 597 e 587 as maldições da Aliança pareciam ter caído efetivamente sobre Israel. A aliança havia sido rompida por Israel. Que tipo de esperança o povo poderia ter para o futuro? Seria suficiente apoiar-se no poder de Iahweh demonstrado no Êxodo, em Sua proteção na conquista e durante mais de seis séculos em que Israel esteve na terra, ou agora tudo isso se tornara irrelevante, passado? Tudo isso podia ser usado como acusação da infidelidade de Israel?

Em síntese, “quase todos os antigos sistemas de símbolos se haviam tornado inúteis. Quase todas as antigas instituições não funcionavam mais. Que tipo de futuro era possível para um povo que atribuía a sua escolha exclusiva a um Deus que acabara de perder uma guerra para outras divindades? Que tipo de futuro podia esperar um povo que de tal modo havia abandonado o seu Deus, que Sua resposta necessária era uma rejeição categórica?” (R. W. Klein).

Diante desse quadro desolador, muitos culparam diretamente a Deus. Ele usava Suas armas de guerra contra o seu próprio povo! Outros protestavam inocência. Alegavam sofrer as conseqüências dos pecados dos antepassados. Porém, nem todas as respostas foram negativas. Todavia, até as respostas positivas refletiam a agudez do problema teológico e a incerteza quanto ao caminho para o futuro. Continua no próximo número.

Padre Lucas

 

 

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Publicado por em junho 10, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

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