RSS

A mensagem do Pentateuco

10 jun

“O Verbo” – n° 215 – Edição Especial – Defesa da Vida – 2ª quinzena de Novembro 2005

A hipótese das tradições (J, E, D e P) – amalgamadas paulatinamente, até formarem o texto do Pentateuco que temos hoje em nossas Bíblias -, mesmo não sendo ainda definitiva, demonstra que “os textos, de inertes que eram, se animam aos poucos e se revelam portadores de uma tradição viva” (J. Briend). Isto equivale a afirmar que o processo de composição do Pentateuco exigiu muitos séculos e se desenvolveu em distintos contextos históricos. Diante de desafios concretos para se viver a Aliança, ao longo de sua história, alguns grupos propuseram a todo o povo de Deus uma meditação sobre o passado com o objetivo de iluminar o presente e o futuro de Israel. Ora, o povo não só acolheu tais contribuições como delas se apropriou, o que assegurou sua transmissão até os nossos dias, por meio do Pentateuco.

 Como vimos anteriormente, a estruturação do Pentateuco se deu aos poucos. Depois da queda da Samaria (722) e de Jerusalém (587), surgiu, em Israel, a necessidade de se recordar sua experiência fundante como povo de Deus, a saber, a saída do Egito e a aliança do Sinai/Horeb, como meio de manter viva sua fé em Deus. Principalmente durante a ocupação da “Terra Santa”, para fortalecer a fé de um povo humilhado, alguns sentiram a necessidade de recordar as gestas decisivas de Iahweh, quando da conquista da mesma terra.

Sabemos que o Exílio significou destruição, devastação, deportação e morte. Ignora-se totalmente quantos morreram nessa época. Entretanto, o cerco à Terra Santa fez numerosas vítimas pela fome e outras tantas pela resistência. Realmente, a deportação acarretou-lhe grandes problemas físicos, psicológicos e socioeconômicos. O grupo de exilados foi numeroso o suficiente para dar início permanente à presença de judeus na Babilônia. Todavia, substancial número de judeus continuou a viver na Palestina em condições de absoluta indigência (Ackroyd). Enfim, Israel era nação derrotada: perdera sua independência, sua terra, sua monarquia e seu templo. Houve grandes sofrimentos e muitos mortos, num estado de coisas que se tornara totalmente caótico. Porém, o que mais abalou o povo, sobretudo os piedosos, foram os desafios e problemas de ordem teológica que daí se originaram.

Como manter a fé em Deus, vendo o templo destruído? O templo era considerado o “lugar da morada de Deus” (1Rs 8,18); “o lugar de Seu repouso” (Sl 132,14); o “estrado de Seus pés” (Lm 2,1); “o lugar onde se podia ver a face de Deus” (Is 1,12). Era, pois, o símbolo sensível da eleição de Israel por parte de Deus. Por isso, a destruição do templo colocara o povo em profunda crise de fé: Deus havia abandonado o “Seu povo” e o “Seu lugar”? Será que existiriam outros deuses mais poderosos ou superiores a Iahweh?

Daí que o Pentateuco “debate-se com os problemas do Exílio ao recontar a história primeva e a história de Israel antes da conquista. Este enfoque no passado não é mera técnica literária (…) propõe que Deus estará presente no meio de seu povo, atualizando, assim, suas antigas promessas a Noé e aos patriarcas, nas condições intermediadas por Moisés à comunidade cultual durante a peregrinação no deserto” (R. W. Klein). Continua no próximo número.

Padre Lucas

 
 

 

 

 

 

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em junho 10, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: