RSS

Síntese das tradições do Pentateuco

10 jun

“O Verbo” – n° 214 –1ª quinzena de Novembro 2005

 

A questão das origens do Pentateuco interessa a todos que almejam um conhecimento mais acurado da Bíblia. Até o século XVII, as tradições judaica e cristã sempre reconheceram ser Moisés o seu único autor. Contudo, a partir do início do século XIX, a crítica literária começa a observar certos traços do Pentateuco que sugerem a existência de mais de um escritor.

Para tentar responder às questões quanto às diferenças estilísticas e a presença de fragmentos literários de proveniências diversas num único relato, surgiram três hipóteses: “a documentária”, a “dos fragmentos” e a “dos complementos”. Foram os primeiros passos da exegese visando a uma compreensão mais acurada quanto à origem do Pentateuco.

J. Wellhausen (1844-1918) foi quem reelaborou a antiga “hipótese documentária”, que concebe o Pentateuco como uma obra redacional, para cuja formação concorrem os seguintes extratos literários: o “Javista” (J); o “Eloísta” (E); o “Deuteronomista” (D) e o “Sacerdotal” (P). Sua hipótese dominou a crítica bíblica depois de 1900. Mas sua teoria fora concebida de maneira teórica demais. Por isso, muitos exegetas preferiram adotar outra terminologia e falar em “escolas” ou em “tradições” no lugar de “documentos”.

Embora não haja consenso entre os estudiosos sobre os “documentos” ou as “tradições” que deram origem ao Pentateuco, vimos a necessidade de aprofundar as suas características, uma vez que a terminologia empregada por Wellhausen ainda vigora: o Pentateuco seria a amálgama dos quatro supracitados “documentos” ou “tradições”.

A mais antiga é a “Javista”, assim denominada por designar com o nome de “Javé” a Deus. Redigida em Judá, Reino do Sul, por volta do século IX. Alguns exegetas a datam antes do cisma Norte-Sul.

A “Eloísta”, que designa Deus com o nome “Eloim”, é oriunda do Reino do Norte, e tem sido datada na primeira metade do século VIII. Tem suas raízes no movimento profético do Norte e na corrente sapiencial. Com a queda da Samaria, em 722, foi trazida para o Sul, onde se uniu à “J”.

A “Deuteronomista” é a que deu origem ao livro do Deuteronômio. Reconhece-se no livro encontrado no templo, quando da reforma de Josias (640-609), sua primeira edição. A partir de 622, sua influência não deixou de crescer, o que explica as numerosas fases que conheceu até chegar à sua forma atual. Refletindo tradições do Norte, foi composta no Sul, após 722. Segue a linha de “E” e dos profetas do Norte. Diante do risco de desagregação e perda de identidade do povo, os autores de “D” se esforçam por manter Israel no essencial de sua fé.

Com a “Sacerdotal”, o Pentateuco estará praticamente concluído. Tem sido datada antes do fim do Exílio (538). “P” empenha-se em procurar na herança do passado uma resposta às seguintes perguntas: em que se apoiar para continuar a viver em meio a uma nação estrangeira sem apostatar da própria fé? Por que Deus permite a seu povo uma situação tão adversa? Para tanto, faz uma releitura da sua história e das promessas divinas, visando iluminar a fé dos exilados do século VI. No próximo número, “a mensagem do Pentateuco”.

Padre Lucas

 

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em junho 10, 2008 em Biblia, Estudo Biblico

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: