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Teologia de Gn 1,1-2,4a (III)

01 set

“O Verbo” – n° 229 – 1ª quinzena de Julho 2006

Primeiro dia. Primeira obra: Trata-se da criação da luz. “Deus disse”, ligeiro. Vv. 3ss antropomorfismo: a ordem de Deus é expressa por uma locução. Hoje, diríamos: Deus quis que a um certo momento existisse um efeito criado. A expressão “Deus disse” é a fórmula de introdução a cada uma das oito obras. “Haja luz!” E houve luz. A luz não está de per si ligada ao sol: existem com efeito outros corpos luminosos, e ela pode ser considerada distinta dos próprios corpos, cuja criação é citada nos vv. 14-19. Assim Jó 38,12s e 19s descreve a luz como sendo armazenada em depósitos celestes, de onde é emitida no princípio do dia. Note-se como ordem e execução, brevíssimas nesta primeira obra, se correspondem perfeitamente: yehi ‘ôrl wayehi ‘ôr. A execução nesta primeira obra substitui também a fórmula de execução wayehi ken: E assim sucedeu, que voltará regularmente nas obras sucessivas.

 

“Deus viu que a luz era boa” (ou era um bem) é a fórmula de aprovação: significa que o efeito da obra criadora corresponde exatamente à idéia divina e que esta idéia é um bem. “Deus separou a luz das trevas”, essa frase quer indicar que Deus estabeleceu que a luz e as trevas se revezassem regularmente formando assim uma sucessão de tempos luminosos e de tempos obscuros. “Deus chamou à luz dia e chamou as trevas de noite”: é a fórmula de imposição do nome. Trata-se de um antropomorfismo que se deve entender segundo as concepções do Oriente Antigo: o nome representa a essência da coisa; portanto, impor o nome significa um ato de soberania (assim a imposição de um novo nome em 2Rs 24,17) e, ao mesmo tempo, tratando-se de um primeiro nome de um ser recém-criado, a determinação de sua essência.

 

Este dia e esta noite correspondem ao tempo da luz e ao tempo das trevas, prescindindo da função do sol. Trata-se, por conseguinte, aqui, do dia de doze horas. “E fez-se tarde, e depois manhã: um dia” (Vulgata: factumque est vespere et mane dies unus): a sucessão de luz e trevas, estabelecida por Deus assim que criou a luz (v. 4), começa a funcionar. Assim, após um certo tempo da criação da luz faz-se tarde e depois anoitece, até que começa a alvorecer. Temos assim o primeiro par dia-noite, isto é, o primeiro dia de vinte e quatro horas. Dia tem significados diversos aqui (24 horas) e no v. 5 (12 horas). Vê-se também como o sistema de computar os dias é aqui de uma manhã até a outra e não a partir do pôr do sol, como acontece entretanto nos textos litúrgicos (Ex 12,18; Lev 23,32; Núm 13,19).

 

Padre Lucas

 

 

 

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Publicado por em setembro 1, 2008 em Biblia, Estudo Biblico, genesis

 

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