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Teologia de Gn 1,1-2,4a (IX/3)

01 set

“O Verbo” – n° 238 – Especial Assembléia Diocesana de Pastoral 

2ª quinzena de Novembro 2006

 

 

 

 

Com o presente artigo, concluiremos a abordagem sobre a oitava obra da criação – o ser humano – e o sexto dia: Gn 1,27-30.

E Deus criou o homem à Sua imagem, à imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher Ele os criou. A esta altura, a descrição da execução se aparta do costumeiro estilo, e assume um ritmo poético e solene, em três membros, em cada um dos quais se repete pela terceira vez o termo bãrã, criou: Observe-se que homem (ãdãm) é coletivo, daí a concordância ad sensum, “os criou”, exigida pela menção dos dois sexos, homem e mulher. A narração quer sublinhar que, na espécie humana, a diferença dos sexos é obra de Deus.

 

Ao comentar os relatos da criação do ser humano, o Papa Bento XVI, afirma: “Na base dessa narração, é possível entrever concepções semelhantes às que aparecem, por exemplo, no mito referido por Platão, segundo o qual o ser humano, originalmente, era esférico, porque completo em si mesmo e auto-suficiente. Mas, como punição pela sua soberba, foi dividido ao meio por Zeus, de tal modo que, agora, sempre anseia pela outra sua metade e caminha para ela a fim de reencontrar sua globalidade. Na narração bíblica, não se fala de punição; porém a idéia de que o ser humano, de algum modo, esteja incompleto, constitutivamente a caminho a fim de encontrar, no outro, a parte que falta para sua totalidade, isto é, a idéia de que só na comunhão a outro sexo possa tornar-se ‘completo’, está, sem dúvida, presente” (Deus Cáritas est, 11).

 

A afirmação homem e mulher os criou prepara a subseqüente bênção, a da procriação humana: E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e todos os animais que rastejam sobre a terra (v. 28).

 

A bênção-ordem dada aos humanos é idêntica àquela conferida aos animais, no versículo 22. Entretanto, ao contrário dos animais, os primeiros pais tomarão consciência desse projeto divino. O autor sagrado quer antes se referir àquela força divina que conserva o gênero humano através da geração, ou seja, à bênção nupcial dada a todo o gênero humano.

 

No versículo 29, determina-se o alimento do homem: Deus disse: ‘Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente; isso será vosso alimento’. Temos aqui uma menção à segunda e terceira categorias de vegetais lembrados na quarta obra, (‘Que a terra verdeje de verdura…, vv. 11s), enquanto os frutos, e especialmente os cereais, são alimento adequado para o homem. Assim, estabelece-se um paralelo conceptual entre a quarta e a oitava obras. De fato, na quarta obra são criados os vegetais, e, na oitava, se determina o seu destino.

 

A apresentação vegetariana dos viventes no início da criação parece constituir um traço característico da visão paradisíaca do mundo, considerado isento de qualquer violência e de todo mal. Ora, a plena comunhão, a ausência do mal moral é expressa mediante a ausência do mal físico.

 

A narração conclui com a fórmula costumeira: Deus viu tudo o que fizera, e eis que era um grande bem (literalmente, muito bom): esta pequena variante na fórmula tem em vista, em primeiro lugar, a criação do homem e, portanto, é assaz significativa.

 

Padre Lucas

 

 

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Publicado por em setembro 1, 2008 em Biblia, Estudo Biblico, genesis

 

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