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Teologia de Gn 1,1-2,4a (VII)

01 set

“O Verbo” – n° 234 – 2ª quinzena de Setembro 2006

No Quinto dia, temos a sexta obra: Deus disse: “Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu”. E assim se fez. Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que rastejam e que fervilham nas águas segundo a sua espécie, e as aves aladas segundo a sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus os abençoou e disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a água dos mares, e que as aves se multipliquem sobre a terra”. Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia (Gn 1,20-23). Trata-se de providenciar os habitantes para o reino das águas: os pássaros para as águas superiores, e os peixes para as águas inferiores.

Temos, portanto, uma obra paralela à segunda: Haja um firmamento no meio das águas, e que ele separe as águas das águas (…). Deus fez o firmamento que separou as águas que estão abaixo do firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento “céu” (…). Na sexta obra da criação, a ênfase em “segundo a sua espécie” quer afirmar que todas as espécies, na sua variedade, são obra de Deus, e não necessariamente que Deus tenha feito existir todas essas espécies já distintas no início. Ou, ainda, que não existem dois ou mais princípios criadores, como afirmavam os mitos pagãos.

 

Todos os pássaros alados (v. 21): não são apenas os pássaros, mas todos os vertebrados e os insetos providos de asas. Deus criou as grandes serpentes (v. 21). Observemos que aqui se emprega, pela segunda vez, o verbo “criar” (em hebraico, bãrã). Como assinalamos anteriormente, quando analisamos Gn 1,1 – No principio, Deus criou o céu e a terra -, esse verbo (bãrã) “é reservado à ação criadora de Deus, ou às suas brilhantes intervenções na história. Portanto, não é necessário ler aí a noção metafísica de criação, sem que nada a preceda, e possa ser considerado como matéria a partir da qual os seres pudessem ter sido formados, afirmação que ocorrerá apenas em 2Mc 7,28; mas o texto afirma que houve um início: a criação do cosmo e dos seres não é um mito atemporal, ela é integrada na história, da qual é o princípio absoluto” (R. de Vaux). O autor sagrado está convicto de que a introdução da vida no mundo é algo novo e admirável.

 

Deus os abençoou dizendo: “Sede fecundos e multiplicai-vos…” (Gn 1,22): a multiplicação dos seres vivos é um prolongamento da criação. De fato, a bênção divina dada no início continua agindo no mistério da geração. Esta lei providencial é expressa em forma de locução dirigida aos seres vivos. Assim, a fórmula de bênção está no lugar da fórmula de imposição do nome, e marca com sua novidade o progresso na obra criadora.

 

Padre Lucas

 

 

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Publicado por em setembro 1, 2008 em Biblia, Estudo Biblico, genesis

 

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