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Teologia de Gn 1,1-2,4a(III) – Primeira obra: a criação da luz

01 set

“O Verbo” – n° 230 – 2ª quinzena de Julho 2006

Após uma introdução geral à Gn 1-11, iniciamos uma análise mais específica dos elementos teológicos aí contidos. Iniciamos nossa abordagem pelo primeiro capítulo, mesmo sabendo ser mais recente em relação aos demais. Trata-se de um texto atribuído à Tradição Sacerdotal, provavelmente redigido ainda no Exílio (586 a.C.). Em Gn 1,1-2, é narrada a criação, após a qual o mundo não tem o seu aspecto definitivo, mas é aí apresentado como que uma casa de três andares: abaixo, a região das trevas; ao alto, a região das águas; e ao meio, a terra. Assim, veremos, a partir de hoje, que a ação divina se exercerá sucessivamente sobre cada uma dessas três regiões.

 

Gn 1,3: Deus disse: “Haja luz”, e houve luz. Deus viu que a luz era boa. E Deus separou a luz das trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia.

 

A noção de criação pela Palavra deve, pois, ser entendida como uma interpretação do bârâ, do versículo primeiro. Ele dá uma idéia de ausência total do esforço na criação divina. Basta uma breve proclamação da vontade de Deus, para que o mundo passe a existir. Como produto da palavra criadora, o mundo é totalmente separado de Deus, nada tem de emanação ou manifestação da essência divina ou de suas forças para ser captada misticamente, como afirmavam algumas religiões contemporâneas. De fato, na época babilônica da criação do mundo, Enuma Elish prova a Marduk seu poder divino, chamando um objeto à existência por sua palavra imperativa, fazendo-o desaparecer logo depois: “Esse paralelo da história da criação torna-se mais interessante porque constitui, nessa teologia, a primeira tentativa metódica de superar a pluralidade dos deuses pela unidade” (H. Junker). Somente a palavra estabelece continuidade entre Deus e Sua obra. O mundo é chamado à existência pela vontade livre de Deus, porque é propriedade de Deus e porque Deus é o seu Senhor.

 

Haja luz! E houve luz. Aqui, a luz é criada antes do sol. Realmente, quando está amanhecendo, vê-se, a olho nu, então único recurso para vislumbrar o dia que despontava, primeiramente a luz, e somente um pouco mais tarde o sol aparece. Assim, Jó 38,12s. 19s descreve a luz como que armazenada em depósitos celestes, de onde é emitida no princípio do dia. Deus viu que a luz era boa (ou era um bem) é a fórmula de aprovação: significa que o efeito da obra criadora corresponde exatamente à idéia divina e que esta idéia é um bem. Deus separou a luz das trevas, essa frase quer indicar que Deus estabeleceu que a luz e as trevas se revezassem regularmente.

 

Deus chamou à luz “dia” e chamou às trevas de “noite”: é a fórmula de imposição do nome. Na Bíblia, o nome representa a essência da coisa; portanto, impor o nome significa um ato de soberania divina e, ao mesmo tempo, a determinação da essência do criado. E fez-se tarde, e depois manhã: um dia: a sucessão de luz e trevas, estabelecida por Deus assim que criou a luz, começa a funcionar: “A noite e o dia se prendem, pois, diferentemente à ação divina. A noite é um vestígio das trevas do caos, limitadas agora por uma lei benéfica; o dia, luz nascida da luz primordial, é a primogênita de todas as criaturas” (Von Rad).

 

Padre Lucas

 

 

 

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1 comentário

Publicado por em setembro 1, 2008 em Biblia, Estudo Biblico, genesis

 

Uma resposta para “Teologia de Gn 1,1-2,4a(III) – Primeira obra: a criação da luz

  1. FERNANDO WELBER

    outubro 27, 2008 at 1:47 am

    NOtar que a partir da palavra haja luz houve um julgamento das coisas que anteriormente aconteceram, pois das trevas Deus chamou a Luz e disse que era ela Boa e fez separação de coisas boas e más.
    Pois foram milhares de anos em que a terra ficou sem forma e vazia devido a introdução do império da morte.
    É provado a existência dos dinossauros e a sua extinção num dado momento e sabemos que esta historia não foi contada na biblia, mas temos o seu final quando se diz (Sem forma e vazia e que havia aguas e trevas)quando Deus criou o Sol a Lua e as estrelas, Ele também passou a fazer separação das coisas Noite=Sono=Morte=Mal – Dia=Vida=Bem.
    O julgamento do principe que antes cuidava da terra e de seus animais começou bem alí quando Deus disse que a Luz era Boa e teve seu fim quando o Filho do altíssimo deu seu testemunho contra as obras do maligno, trazendo luz aos cegos e vida aos mortos. Isto foi para testemunhar e dar continuidade a separação que começou em Genesis a fim de que aquele que causou o mal deixase de governar como principe deste mundo.
    Pois o seu principado só podia deixar de existir a partir da deteriorização de suas obras más, ou seja num dado momento de tempo da mesma maneira de como os dinossauros foram destruídos.
    Nota-se que o homem foi criado por causa deste principado que deixou de operar as coisas necessarias e boas para a manutenção da terra e de suas criaturas. Foi por isto que Deus deixou o homem dar nome a todos os seres viventes, para que ele desse continuidade ao que foi destruído paralelamente as obras daquele
    que não poderia mais cuidar da terra e de seus animais.
    Mas como já havia se repetido a destruição das coisas devido não haver um ser semelhante ao que se destruíra, foi criado o homem a imagem de Deus. Notar também que a arvore da morte já estava lá no jardim e não foi Deus quem a colocou alí estava alí por direito do principado que a plantou em algum momento do antigo passado, Jesus menciona da seguinte forma (Toda a arvore que meu Pai não plantou será arrancada e lançada no fogo).
    A desobediênica foi fruto da maldade que exede a bondade em seus principios, pois não podemos resistir ao que se diz ser melhor para nós.
    Note que não se teve tempo algum desde a criação até a queda do homem, foram exatamente o nosso 1º Pai Adão que foi adiante naquilo que parecia ser um algo melhor. Pois foi com o bem que a serpente enganou o homem, pois disse que ele seria igual a Deus e saberia coisas que ele não sabia. Foi o conhecimento da estrutura psicologica que levou o homem a cometer o erro que desencadeou o que já estava proposto desde os tempos antigos quando os seres não tinham a inteligência Divina.
    Mas a vontade de Deus se cumpre pois o que é perfeito seria estabelecido é o que causou o caos será destruído num dado momento quando se cumprirem as coisas designadas pelo criador que antes de tudo já havia determinado sua vontade que era de fazer novas todas as coisas. Pois seria impossível consertar as deformidades causadas na criação devido ao autor destas deformidades ter plantado e introduzido dentro de todos os seres vivos este caos.
    É muito fácil comentar a respeito do Genesis da forma como ele foi escrito, o difícil e compreender os pontos nas escrituras que mecionam estas coisas que acabo de comentar, a qual afirmo que tudo isto está dentro das próprias escrituras como um enigma a ser revelado para aqueles que vão herdar a salvação.
    Gloria pois aquele que criou todas as coisas e a seu filho que vive e reina para todo o sempre Amém.

     

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